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As 461 “mortes” do bitcoin

Bom dia, apaixonados por cripto. Vou te contar uma coisa: por aqui, a gente sempre acorda querendo dar uma notícia boa sobre o mercado de moedas digitais. Mas hoje não é o caso. O bitcoin (BTC) escorregou feio de novo e encostou no pior preço desde outubro de 2024. É daqueles momentos que fazem o investidor olhar duas vezes para a carteira e suspirar fundo.

E é nessas horas que começam a pipocar as “declarações de óbito” da criptomoeda. Só neste ano, o BTC já foi dado como morto sete vezes. Desde 2008, quando surgiu, são 461 mortes decretadas por analistas, colunistas e céticos em geral. Tem um gráfico no fim desta news para você conferir.

Apesar do clima mais pesado, tem um ponto que sempre volta à mesa: ao longo dos últimos 17 anos, o bitcoin já apanhou bastante, mas também já se reergueu. Hoje, a cripto está cerca de 45% abaixo de sua máxima histórica, de US$ 126 mil. Em ciclos anteriores, porém, já chegou a cair perto de 80% antes de se recuperar.

Nada garante que a retomada vá se repetir. Mas a história mostra que, se tem algo constante no bitcoin, é a capacidade de sobreviver aos próprios funerais. A cripto parece o Goku, do anime japonês Dragon Ball: quanto mais porrada leva, mais volta para a luta.

📈 O que sobe, o que desce

Bitcoin (BTC)

US$ 70.704,33

-6,70%

Ethereum (ETH)

US$ 2.085,70

-6,48%

↑ Maiores altas
• MYX Finance (MYX): +4,28%
• Hyperliquid (HYPE): +4,10%
• Lighter (LIT): +2,16%
Maiores baixas
• XRP (XRP): -13,44%
• Zcash (ZEC): -13,00%
• Stable (STABLE): -11,64%
*Cotação do dia 05/02/26, às 8h45

Cripto Brasil

Ouro digital com sotaque brasileiro

No meio de tanta turbulência global, o ouro disparou nos últimos meses. Mas não foi só ele. As stablecoins ligadas ao metal também pegaram carona na alta. O volume transacionado desses tokens chegou a R$ 50 milhões ao longo de 2025 no Mercado Bitcoin, um salto de cerca de 300% em relação a 2024, segundo dados divulgados pela plataforma cripto. O número de investidores nesses ativos digitais também cresceu - avanço de 20% no período.

Stablecoin algorítmica? Aqui não

Falamos ontem aqui sobre o projeto cripto aprovado na Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara. Pois o texto traz outro detalhe relevante: ele proíbe stablecoins algorítmicas no Brasil. Diferentemente das stablecoins tradicionais, que têm reservas em dólar ou outros ativos, as algorítmicas tentam manter a paridade usando apenas código. A ideia funciona enquanto há confiança; quando ela some, o sistema pode entrar em colapso, como aconteceu com a TerraUSD em 2022.

Dólar digital com pé no Brasil e na Argentina

E já que o assunto é stablecoin: brasileiros e argentinos ganharam mais uma opção de dólar digital. A Ripio - empresa nascida na Argentina, mas que tem um pézinho no Brasil - liberou em sua plataforma a RLUSD, stablecoin emitida pela Ripple, a empresa por trás do XRP. O token é pareado ao dólar na proporção de 1:1 e já soma cerca de US$ 1,3 bilhão em valor de mercado. Na prática, é mais uma porta de entrada para quem quer se dolarizar sem sair do ambiente cripto.

Cripto around the world

Token de Trump em apuros

A World Liberty Financial (WLFI), projeto cripto ligado a Donald Trump, entrou no radar de uma comissão da Câmara dos EUA. O estopim foi uma reportagem do Wall Street Journal dizendo que um fundo conectado a Abu Dhabi teria acertado a compra de 49% da empresa por US$ 500 milhões pouco antes da posse presidencial de 2025. Parlamentares agora querem entender se houve conflito de interesses e a presença de capital estrangeiro sensível no negócio.

CME quer cripto para chamar de sua

O CME Group, maior mercado de derivativos do planeta, quer molhar os dois pés no mundo cripto. O CEO do grupo, Terry Duffy, revelou em conferência de resultados que a empresa está explorando a criação de uma cripto - possivelmente uma stablecoin. Já tem até nome provisório: “CME Coin”. A ideia seria usar o token para integrar a blockchain à sua infraestrutura de compensação e liquidação. A empresa, vale notar, vem trabalhando também em uma solução de “dinheiro tokenizado” com o gigante das buscas Google.

Gráfico do dia

As 461 declarações de “morte” do bitcoin

Fonte: Bitcoindeaths

Frase

O bitcoin não tem funcionado como uma proteção contra o dólar; em vez disso, é apenas um instrumento especulativo correlacionado à Nasdaq

– Richard Farr, estrategista-chefe de mercado e sócio da Pivotus Partners

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Curadoria afiada sobre negócios, economia e investimentos.

Texto: Lucas Gabriel Marins
Design: João Brito

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