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Bitcoin em zona de guerra
Bom dia, apaixonados por cripto. Parece que sempre tem um conflito aqui e outro acolá. Eita mundo conturbado esse que a gente vive. Agora foi a vez da tensão entre EUA, Israel e Irã - um conflito que ainda tem muito pano para manga. E claro: as criptomoedas sentiram o baque.
No fim de semana, o bitcoin (BTC) chegou a cair novamente para a casa dos US$ 63 mil, deixando investidores com a pulga atrás da orelha. Depois, até ensaiou uma recuperação e voltou para a faixa dos US$ 66 mil na manhã desta segunda-feira (2). Mas o cenário continua incerto. As altcoins seguem na mesma toada.
Em momentos de conflito como o atual, ativos de risco costumam sofrer. Traders reduzem exposição, realizam lucros e buscam proteção. Não é à toa que, assim como as criptos, os índices futuros dos EUA também amanheceram em queda. Na contramão, ativos considerados porto seguro sobem - o ouro já acumula alta de quase 25% neste ano.
Mas nem tudo é notícia ruim do lado cripto. A queda foi mais moderada do que muita gente esperava. Boa parte da alavancagem do setor já tinha sido eliminada, e os vendedores parecem mais cansados. Isso ajuda a criar um certo “colchão” para o mercado. Eventos macro mexem, claro - mas talvez haja um limite para o tamanho do estrago.
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📈 O que sobe, o que desce
Bitcoin (BTC)
US$ 66.222,25
-0,42%
Ethereum (ETH)
US$ 1.949,55
-1,68%
↑ Maiores altas
• Morpho (MORPHO): +5,89%
• XDC Network (XDC): +5,17%
• NEAR Protocol (NEAR): +2,61%
↓ Maiores baixas
• Decred (DCR): -9,55%
• Kite (KITE): -8,96%
• pippin (PIPPIN): -8,75%
*Cotação do dia 02/03/26, às 8h45
Cripto around the world
•Conflito no Oriente Médio é tokenizado
A guerra no Oriente Médio não provocou apenas volatilidade nas criptos. Também turbinou os mercados de previsão com tokens, onde investidores apostam em desfechos futuros. Na Polymarket, por exemplo, há contratos para todos os cenários do conflito. Um deles - “EUA atacam o Irã até (qual data)?” - movimentou até agora US$ 529 milhões e se tornou um dos maiores contratos individuais já hospedados pela plataforma.
• Irã e seu ecossistema cripto bilionário
Além da volatilidade e da corrida aos mercados de previsão, os ataques dos EUA e de Israel também jogaram luz sobre a rede financeira paralela construída pelo Irã com mineração de bitcoin e uso crescente de stablecoins. Desde 2019, o país legalizou a atividade e usa energia subsidiada para produzir BTC, que pode ser direcionado ao banco central e empregado em transações fora do sistema do dólar. Segundo a Chainalysis, o ecossistema cripto iraniano movimentou US$ 7,78 bilhões em 2025.
Cripto Brasil
• Adeus, Brasil?
Enquanto o conflito mexe com o mercado lá fora, a nova regulamentação brasileira do setor - criada pelo Banco Central no fim de 2025 e em vigor desde fevereiro - tem causado ruído. Algumas empresas estrangeiras avaliam que as exigências, como capital social integralizado de R$ 12 milhões, dificultam a operação no país. Pelo menos três grandes exchanges podem deixar o Brasil, segundo o portal especializado em cripto CoinTelegraph.
• Bitcoin: ame-o ou odeie-o
O bitcoin é o tipo de ativo que desperta amor e ódio - e isso também ficou claro nesta semana. Em artigo na Folha de São Paulo, um professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) criticou duramente a criptomoeda: disse que ela tem pouca utilidade prática, é usada em operações ilegais, é concentrada em poucas carteiras e pode ser manipulada por grandes detentores. Vocês concordam com ele?
• A paixão do brasileiro por “cripto dólar”
Se há algo que o brasileiro gosta é “cripto dólar”. Em fevereiro, os investidores locais negociaram US$ 9,23 bilhões em USDT e USDC, as duas maiores stablecoins atreladas à moeda americana, segundo o Índice Biscoint. O montante é levemente acima dos US$ 8,95 bilhões registrados em janeiro. O avanço ocorre em meio à queda do dólar e a dúvidas sobre a incidência de IOF nesses ativos digitais.
Gráfico do dia
Volume negociado em “cripto dólar” no Brasil

Índice Biscoint
Frase
Com boa parte da alavancagem já eliminada e com vendedores exaustos, há um limite para o quanto eventos macro podem mexer (com cripto). Isso não quer dizer que o bitcoin não possa cair mais, apenas que grande parte da volatilidade já foi drenada”
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O Essencial
Curadoria afiada sobre negócios, economia e investimentos.
Texto: Lucas Gabriel Marins
Design: João Brito





