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Bitcoin sobe, mas não convence

Bom dia, apaixonados por cripto. O bitcoin (BTC) ensaiou uma recuperação nesta sexta-feira (20) e voltou a circular na faixa dos US$ 67 mil. A alta, porém, não muda muito o clima geral: o apetite global por risco segue fraco, com investidores mais cautelosos diante de incertezas macro e juros ainda elevados.

Um sinal dessa cautela aparece no mercado de opções cripto - aquele em que se negociam contratos que dão ao investidor o direito de comprar ou vender um ativo por um preço combinado em uma data futura. Por lá, aumentou a procura por opções de venda de BTC com preços em US$ 60 mil, US$ 50 mil e até US$ 40 mil - níveis abaixo da cotação atual.

O que isso quer dizer?
Há dois movimentos possíveis por trás dessa corrida:

Proteção: quem já tem BTC compra essas opções como um seguro. Se o preço despencar, o investidor consegue vender por um valor maior e limitar o prejuízo.

Aposta na queda: traders também podem comprar essas opções esperando uma desvalorização. Se o bitcoin cair forte, o valor desses contratos sobe - e eles lucram com isso.

Não é uma garantia de que o BTC vai despencar, ok? Mas mostra que muita gente no mercado está se preparando (ou apostando) em um cenário de queda mais acentuada.

📈 O que sobe, o que desce

Bitcoin (BTC)

US$ 67.934,55

+1,65%

Ethereum (ETH)

US$ 1.955,66

-0,23%

↑ Maiores altas
• Kite (KITE): +16,23%
• Morpho (MORPHO): +10,87%
• Official Trump (TRUMP): +9,88%
Maiores baixas
• Arbitrum (ARB): -8,25%
• Pi (PI): -6,39%
• Sky (SKY): -4,14%
*Cotação do dia 20/02/26, às 8h45

Cripto Brasil

BC de olho nos institucionais

Depois de apertar as regras para empresas de cripto mais voltadas ao varejo, o Banco Central agora olha para outro público: as firmas que atendem investidores institucionais. A ideia é criar um arcabouço jurídico mais específico para esse segmento - que movimenta volumes maiores e exige regras mais sofisticadas. O BC também quer detalhar melhor as normas para stablecoins - criptos atreladas a ativos como o dólar - que ainda deixam dúvidas no mercado brasileiro.

Tokenização passa de R$ 1 bi em janeiro

Janeiro foi forte para a tokenização no Brasil. As empresas emitiram cerca de R$ 1,5 bilhão em ativos tokenizados, segundo o RWA Monitor, portal que acompanha esse mercado na América Latina. Entraram na conta Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), Cédulas de Produto Rural (CPRs), debêntures, duplicatas, notas comerciais, entre outros. O recado é claro: o mercado brazuca de ativos reais na blockchain segue ganhando tração.

OranjeBTC recompra ações

A OranjeBTC, maior tesouraria cripto do Brasil, segue sem aumentar posição em bitcoin. Por enquanto, a prioridade ainda é recomprar as próprias ações. Na semana passada, a firma recomprou 20 mil a um preço médio de R$ 6,53. A empresa avalia que seus papéis estão sendo negociados com desconto em relação ao valor patrimonial. Desde a estreia na bolsa, em outubro de 2025, as ações da companhia acumulam queda de 72%.

Cripto around the world

Impasse das stablecoins nos EUA

Rolou uma nova rodada de conversas na Casa Branca entre governo dos EUA, bancos e empresas de cripto. O tema foi a regulamentação do setor de moedas digitais. O principal entrave segue sendo se stablecoins poderão pagar rendimento aos usuários - algo defendido pelas plataformas cripto e rejeitado pelos bancos, que veem risco ao modelo tradicional de depósitos. Segundo os participantes, houve avanço nas discussões, mas nenhum acordo formal saiu até agora.

USDT perde fôlego

Depois de meses de crescimento quase contínuo, a USDT, maior stablecoin do mundo, caminha para sua maior retração mensal desde o fim de 2022. Em fevereiro, cerca de US$ 1,5 bilhão saiu de circulação, em meio à recente queda do mercado cripto e à migração parcial de capital para rivais como o USDC, que segue em expansão. Ainda assim, o setor de stablecoins como um todo continua crescendo e já soma mais de US$ 300 bilhões, impulsionado por maior adoção de empresas financeiras e pelo apoio político nos EUA.

Gráfico do dia

Retração do dólar digital USDT (em bilhões US$)

Fonte: Bloomberg e Artemis.

Frase

A combinação de um dólar mais forte e clima de aversão ao risco global tende a reduzir o apetite por ativos voláteis como o bitcoin, podendo pressionar o preço ainda mais caso as tensões geopolíticas persistam ou se intensifiquem

– André Franco, CEO da Boost Research

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Curadoria afiada sobre negócios, economia e investimentos.

Texto: Lucas Gabriel Marins
Design: João Brito

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