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Por que o bitcoin continua caindo?

Bom dia, apaixonados por cripto. O bitcoin (BTC) teve mais uma madrugada turbulenta e voltou a rondar os US$ 66 mil na manhã desta segunda-feira (23).

No cenário macro, pesam as incertezas em torno das disputas nos Estados Unidos sobre tarifas, o que aumenta a aversão ao risco e faz investidores correrem para ativos mais seguros. Cripto, como sempre, sente primeiro.

Mas há algo mais profundo em jogo. Nos últimos meses, o bitcoin parece atravessar uma pequena crise de identidade - daquelas que todo mundo já teve em algum momento na vida.

A cripto já não sustenta com tanta força a narrativa de “ouro digital”, deixou em segundo plano o discurso libertário e vê a atenção migrar para outros cantos da indústria, como stablecoins e plataformas de previsões.

Com esse pano de fundo, parte dos investidores segue reduzindo posição. No fim, a pergunta que paira sobre o mercado é simples: trata-se só de mais uma correção no caminho ou do começo de uma nova fase para o bitcoin?

📈 O que sobe, o que desce

Bitcoin (BTC)

US$ 66.356,88

-2,54%

Ethereum (ETH)

US$ 1.916,20

-3,14%

↑ Maiores altas
• pippin (PIPPIN): +22,40%
• Just (JST): +4,76%
• Kite (KITE): +4,73%
Maiores baixas
• Pump.fun (PUMP): -7,70%
• LayerZero (ZRO): -7,32%
• Hyperliquid (HYPE): -5,99%
*Cotação do dia 23/02/26, às 8h45

Cripto Brasil

Estudo brasileiro questiona tese do “ouro digital”

A tese de que o bitcoin funcionaria como “ouro digital” segue perdendo força - agora também nas universidades. Um estudo da USP e da PUC-Rio analisou o comportamento da criptomoeda entre 2014 e 2025 e cruzou seus movimentos com indicadores como Nasdaq, dólar e juros. A conclusão: ao longo do período, o bitcoin mostrou correlação crescente com ativos de risco, como ações, e menos com ativos de proteção.

Bancada cripto no Congresso?

A indústria cripto no Brasil quer ganhar força política. Inspirados no movimento visto nos Estados Unidos, participantes do setor articulam a criação de uma “bancada cripto” no Congresso. A Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABcripto) sinalizou que pretende inserir o tema nas eleições deste ano. Nos bastidores, há expectativa de que a ONG americana Stand With Crypto, que atua na mobilização política pró-cripto, também passe a operar no Brasil.

Regulação vira vitrine para players globais

As novas regras para o setor de criptoativos, publicadas pelo Banco Central ano passado, foram recebidas de forma positiva por players internacionais. A firma israelense Fireblocks, especializada em infraestrutura para blockchain, anunciou planos de expandir suas operações aqui, citando o avanço regulatório como fator decisivo. A empresa, que já atende grandes instituições globais, quer ampliar a atuação em projetos de tokenização.

Cripto around the world

Bitcoin vai a zero?

As buscas pela expressão “bitcoin vai a zero” dispararam em fevereiro nos EUA e atingiram o pico do Google Trends. O movimento coincidiu com fundos de preço no passado. Desta vez, porém, o dado é mais regional: globalmente, o interesse pelo termo vem caindo desde agosto, sugerindo que o medo está mais concentrado no investidor americano, pressionado por ruídos macro domésticos.

Institucionais puxam o freio

O clima de cautela também aparece no fluxo de capital para produtos cripto. Os ETFs à vista de bitcoin nos EUA, principal porta de entrada do investidor institucional, acumulam US$ 3,8 bilhões em saídas nas últimas cinco semanas - a sequência mais longa desde fevereiro de 2025. O destaque negativo é o fundo IBIT, da BlackRock, que sozinho registrou cerca de US$ 2,13 bilhões em resgates no período.

Gráfico do dia

Saídas dos ETFs de bitcoin nos EUA

Fonte: SoSoValue

Frase

“As pessoas estão percebendo que o bitcoin é o que sempre foi: um ativo especulativo. Não substitui o ouro, não é hedge contra inflação, nem proteção contra o caos

Tom Essaye, fundador da Sevens Report

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O Essencial
Curadoria afiada sobre negócios, economia e investimentos.

Texto: Lucas Gabriel Marins
Design: João Brito

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